os cadarços estão soltos, há muito,mas muito tempo. as engrenagens se perdem no incêndio da família, rescaldo de fotogramas. a amplidão da dúvida é um mistério de olhos abertos: fazer-se dúvida. sê-la sem saber ao certo, nunca, qualquer compasso de evolução. atirar-se do penhasco de anos: dúvida. desatar o cerco, ampliar a ferida, no limiar do invisível e do indivisível. dinamitar a camisa-de-força do pouso seguro, da ilha, sólida, na beatitude subterrânea dos náufragos.
os cadarços estão soltos: a felicidade sorri com dentes postiços, e saliva, e se regozija. o gozo silencioso da dúvida, apalpada no escuro da infância - onde estão os cães pequineses e os vagalumes da infância ? - os cadarços estão soltos, quis que assim fosse. na tetania das lembranças, fecho os olhos e sigo.
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