quarta-feira, 8 de setembro de 2010

arqueologia

estertora a noite
(e o dente dói)
indefinidamente.

a câmara violada
de algum sacerdote,
noites de eterna maldição.

estertora a noite
(e o dente dói)
compulsivamente.

traumas de infância,
cantos, quinas, esconderijos,
nada será como antes.

em seus estertores
de noite plena,
fiel depositário
de todas as dores,
o homem contempla
a lua serena
de mil temores,
fria e trágica,
analgésica,
como estas lágrimas,
estrelas de sofrimento.

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