no princípio,
sonho.
ossos, veias
e cadafalso.
depois
o céu se apagou,
e a luz, num gemido,
fez história.
e depois, e depois,
e depois,
a extrema-unção
calma
e em silêncio.
o peito aberto
de mil dias
não cicatrizou.
e restou
apenas a presença
da ausência.
e o que era instante
marcou
o tempo difuso
das lembranças.
translúcida,
a memória,
passagens oníricas
do mais puro desespero.
e do peito,
ainda aberto,
os pássaros engaiolados
vigiavam a liberdade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário