quarta-feira, 8 de setembro de 2010

narciso

a flecha impotente
cai sob teus pés, como a última lágrima
deste regato.

e o sangue da ferida acesa
copula
com os alevinos moribundos.

sob o silêncio das pedras,
sob o musgo
pulsa uma cicatriz.

e de sua raiz
germina a comunhão da seca:
árida trilha humana,
que só faz queimar os brotos.

- nem flores, nem memórias -

corroendo o sol tua imagem,
térmitas em raios,
das almas e dos pulmões
cospem seus estragos.

da impotência da flecha
jaz espelho partido,
como o canto dos olhos,
regato seco da beleza humana.

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