lanço dentro da noite
os ponteiros do relógio
atados aos teus tornozelos
teus braços, velozes,
em leque, ângulos febris
da distância
entre duas fugas,
sopram a brasa matriz
em que consome a noite
preparo tua carne
com o sal e as especiarias
da terra entre minhas pernas
- tormenta de corpos ancorados
em sonho de seda e marfim -
de dentro da noite dentro
o grito animal
me faz contar estrelas
no céu da tua boca
e, ainda, nossas lágrimas misturadas,
dentro, dentro, dentro,
são apenas a distância entre duas fugas
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