e no horizonte largo da ferida
voa sem destino,
agonizante, como o tempo silencioso das ampulhetas.
mergulha na dor subterrânea dos mendigos,
se engalfinha na maré das palafitas.
a inquietação
da taquicardia dos seus dias
desafia a luz dos edifícios:
instantânea como a lágrima,
mortal como um sorriso.
e lúcido
o amador se conforma
na busca da coisa amada.
sofre com a embarcação
na borrasca dos pensamentos.
ainda se entrega
à última fibra que vibra
último tendão que liga
o corpo à razão.
quixotesco lança olhos de vidro,
entregando-se ao prazer
de não ser nada
além da alvorada
e do amanhecer
angustiado
constrói um cômodo a cada dia,
mas onde mora
é sempre mais cotidiano e apertado.
assim, onírico parte
sem bagagem,
sem endereço como a tempestade:
álibi para seus crimes,
refúgio para suas faltas.
e no estampido seco da memória
- trégua -
incauto segue,
imprevisível como um cadarço solto,
farejando...
o aroma doce dos olhos humanos,
o calor vulcânico das palavras.
(*) estudo sobre soneto de Camões
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