quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

bebo de teu vinho

bebo de teu vinho, e é tarde. e é a imensa tarde que flutua sob nossos corpos: cadafalsos, precipícios, cais de porto. do teu vinho decanto especiarias, trêmulas notas florais, sedutores frutos maduros. teu vinho, frasco esquecido nalgum escaninho, maldição cíclica dos amantes sem endereço: cegueira, analgesia, vertigem. e o espelho é só um relógio sem ponteiros. bebendo do teu vinho. grudados feito cães de rua. tarde rubra como o fundo de nossas almas misturadas. bebo toda a colheita sem pressa. a tarde levedando beijos e choques elétricos. bebo de teu vinho...

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