o vinho contra a luz me diz que tudo está escrito e os incautos, como nós, em folhetins diários. roteiro mal acabado de escritor fracassado.[ Bandini]. e seguimos na tentativa de mudar o final da história. haverá final? o jogo da amarelinha tem lá seus mistérios.[ Cortázar]. tudo se resume ao primeiro contato. ao primeiro gole de oxigênio, o primeiro olhar, o primeiro passo, depois o tombo, o abraço, a paixão, o amor. a primeira descarga de adrenalina no peito e seu calor de mil bombas atômicas. continuamos buscando. e como tudo se resume ao mesmo círculo, o dilema mortal é: corremos atrás ou esperamos tudo passar aqui de novo? como se esse fogo que perseguimos fosse ônibus sem itinerário, a cura num remédio sem bula. tudo condensado no primeiro olhar, na primeira conjunção deste planeta com aquele. sinfonia cósmica que coube num abraço, olho no olho, num beijo esfomeado. sem beijos esfomeados a humanidade não anda. seguimos enganando o autor arrancando páginas, rasurando finais de capítulo, na vã ilusão de conforto. esquecemos que esta parte do roteiro já passou há exatos segundos atrás. incompletos seguimos. insatisfeitos, alimentados de projetos imperfeitos. como quem busca um beijo esfomeado, como quem busca o calor de mil bombas atômicas. como da primeira vez. e como será sempre.

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