sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

nosso amor é árdua colheita

nosso amor é árdua colheita. semeamos inseguros toda sorte de terra. inseguros dia a dia a acreditar que vingue. que brote. que floresça. e quando estamos seguros do amor, do amor verdadeiro, que nos alimenta, que nos traduz, vem a tempestade, ventanias de setembro, a levar tudo embora. e de novo inseguros cortamos a terra. salivamos por chuva e sol. retomamos a lida dos incautos pelo coração derramado em semente. não há triste sina que não floresça. nem abraços. nem saudades. me descubro lavrador, com as mãos empipocadas, grossas feito um adeus, feito cachorro sem dono. feito silêncio. lavro a alma incendiada do passado de ontem como quem morde um pêssego. de néctar e lágrimas. sentindo sua pele, tuas veias no colo nu, seu gosto em minha boca de espanto. vigiando a doce espera. insegura como deve ser , mas cruel, árida e soberana. é preciso guardar as ferramentas no porão , embrulhadas nos lençóis de nós dois, da nossa loucura silenciosa e de fúria, como dois lavradores à espera do calendário. quem sabe na próxima virada da lua haverá certeza nas estantes da sala? e te amarei sem pressa, alucinadamente sem pressa, sem medo de perder a colheita. árdua colheita.

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