quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
bebo do teu vinho II
o vinho desperta o mais profundo sentimento. não por acaso, talvez seja a bebida mais simbólica em contato com o ser humano. desnecessário alinhavar sua história ao longo dos séculos. antes mesmo da uva o vinho já nasce com a intenção. em qualquer canto do planeta, alguém se dispõe a cultivar o seu sonho de uva. sem a primitiva intenção do vinho, se em nossa alma estiver o silêncio da intenção. não sei quem primeiro a transformou na bebida que conhecemos hoje. talvez a epifania do primeiro gole, do aroma, da embriaguez, tenha elevado o homem à categoria do sagrado. o fato é que o vinho existe, de diversas origens, de diversas formas de se fazer, de se consumir, de se embriagar. não vou falar de simbolismo. a imensa simbologia cabe a cada um que o degusta. mas falamos de castas, de climas, de ocasiões, de aroma de frutas, de clima, e de sentimento. o mesmo sentimento que eleva o ser humano à categoria dos iniciados. o vinho, se corretamente apreciado, eleva a alma do bebedor à categoria de amador, no sentido amoroso da palavra. estilhaça os sentidos e nos faz elevar o espírito, antes da costumeira embriaguez. aguça os sentidos, como quem aponta um lápis, ou tira a roupa de uma mulher, ou de um homem. mas há que perceber sua alma e seu encanto. o vinho pede um ritual. outro dia, na praia, vi uma senhora pedir um copo de vinho. num quiosque. um copo americano até a boca, com vários cubos de gelo. não é desse vinho que estou falando. falamos do clima e da imensidão de sentidos, por trás deste simples ato de cheirá-lo, olhá-lo e degustá-lo. deus me livre desta imensa verborragia, mas é necessária. quer detestar tomar vinho? vá ao supermercado, namore os vários rótulos, escolha um, coloque no carrinho e siga. chacoalhando no carrinho, chacoalhando no porta-malas, finalmente chegue em casa, abra-o e tome. vai ser a pior experiência de sua vida. todo o processo, desde a intenção do homem em cultivar a sua uva, até o fundo do copo, cairão por terra, feito um meteoro desgovernado. não, não é assim! é o mesmo que paquerar alguém, sequestra´-la, enfiá-la no porta-malas, chegar em casa e sonhar que vai fazer amor com ela de maneira inesquecível. não. o vinho merece apreciação, namoro, identidade, descanso, longe da luz e do calor. beber do bom vinho é fazer amor com quem você mais ama, lenta e sem pressa, como diz a cartilha dos bons amadores, e por que não dizer, amantes.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário