, teve que por os óculos para cortar as unhas. diferentes, caneladas, como as de sua mãe. notou no espelho que as bolsas sob os olhos também eram iguais ao de sua mãe e os vincos no rosto, os sulcos arados pelo tempo, era mais um retrato de seu pai. saiu pelo corredor atrás de salsa e alecrim, na pequena horta num canto do terraço. a pitangueira estéril contemplava sua agonia e seu êxtase ao sentir o perfume das ervas , maceradas sob as unhas caneladas. chovia. silenciosamente chovia. foi assim, sob a chuva, que descobriu que as pessoas sofrem,gastam uma energia danada no muito que se tem a ganhar, e esquecem do pouco que tem a perder. do imenso valor do pouco que se tem a perder. e foi assim, com os óculos embaçados e a alma encharcada, que ele ganhou o dia.
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