sábado, 12 de fevereiro de 2011

"o homem com a flor na boca"

o que é que só duas vezes na vida floresce,
que é metade infância,
que é metade distância?

que às vezes contida,
jorra da alma o perfume
que nomearam sorriso?

que arrancada sem capricho,
povoa os telhados
as latas de lixo?

que transformada
em ouro e porcelana,
reabilita, disfarça, engana?

que dá vida aos jardins
de acrílico indolor?

tão linda esta flor
que tenhos nas mãos,
regadas com lágrimas
e silêncio...

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