pêssego:
impossível deter
meus dentes
sem cheirá-lo,
sentir seu veludo,
até o suco escorrer
pela boca...
inebriando o ar
e meus sentidos,
perdidos,
no doce molhado
do teu gosto,
do teu cheiro:
relva molhada,
jasmins,
alfazemas...
tremendo no vento,
em meus braços,
na tua volúpia de fruta,
menina-flor.
esquecendo de nós,
de tantos e tantos nós.
num espasmo de calor
que não tem nome...
te vejo na primeira mordida,
no primeiro beijo,
no vinho que dorme
sob os espelhos,
sob teus grandes olhos!
o mundo girando
sob teus pés de cristal,
princesa que dorme
em garrafas,
bilhetes,
especiarias...
na perfeição de criatura
que habita o coração incauto,
da tempestade em meu peito,
silenciosamente sedutora
como pêssego maduro.
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