domingo, 4 de março de 2012

teus dentes
rasgam minhas espáduas,
terreno de vincos,
sepultura de unhas e sustos.
rodamoinhos no centro
de tua barriga inquieta.
dedos,
calcanhares,
estátua assombrada
de mármore
e fruta mordida.
pés,
pernas,
ponteiros de história inacabada,
invadindo a escuridão
de suor e flores sem nome.
em minhas mãos
teu grito é insano
como um dicionário.
como lições de álgebra
e de tempestades.


teus dentes se despedem
na vertigem pueril da primeira queda,
do primeiro espanto de liberdade.
no veludo de teus ombros
cabelos em partitura...
e da indecisão de nossas pernas,
quase um ramalhete de gérberas,
réquiem de lágrimas perfumadas.

Um comentário:

  1. Pra mim você atingiu o ápice da poesia erótica! Pois é deste tipo que gosto. Só mesmo o senhor pra usar gérberas, brotadas tão facilmente.

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